Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

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ARTIGO MARCUS FIRME - Policiais Federais: trabalho de defesa da sociedade e seus desafios

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04/02/2020

ARTIGO: SINDICALISTA NA POLÍCIA FEDERAL, UM CAMINHO DIFÍCIL

Por Hélio de Carvalho Freitas Filho, vice-presidente do Sinpef-ES

Dificilmente alguém que se disponha a entrar na Polícia Federal, submetendo-se a um certame extremamente concorrido e desgastante, que impõe uma rotina árdua de horas de estudo e cuidados com a preparação física, pensaria friamente, após finalmente obter êxito nesse propósito, em assumir simultaneamente as responsabilidades inerentes à atividade policial e os encargos afetos à representação sindical da correspondente categoria.

 

Contudo, tal situação ilustrada, não é tão rara assim, embora pouco explicável pelos aspectos meramente racionais, principalmente pelas circunstâncias preponderantes de um mundo cada vez mais individualista e egoísta.

 

Desdobrar-se na gama de compromissos atinentes ao exercício classista é missão constante e, por vezes, penosa. O rol de incumbências é extenso, incluindo desde a representatividade nas negociações salariais coletivas, visitação a diversas frentes parlamentares - na capital federal ou na base territorial do respectivo sindicato - para esclarecimento e defesa de projetos de lei vinculados à área da Segurança Pública e, por reflexo de interesse dos policiais. Assim como acompanhar a movimentação dos andamentos de projetos junto às casas legislativas, estar atento às inúmeras demandas judiciais em curso, conhecer e viabilizar os novos pleitos de ajuizamento frente à perene afronta e desrespeito aos direitos dos sindicalizados, cumulando o risco de sofrer represálias, ainda que em alguns casos veladamente, quando em rota de colisão os interesses da categoria face aos da Administração.

 

Patente à lista ser extensa, e longe é seu fim, que ainda engloba estar disponível para ser demandado em razão de ocorrências graves, às quais envolvam algum representado que por ventura possa estar necessitando com urgência de amparo. Ressalta-se que, em se tratando de ambiente policial, e mormente na Polícia Federal, cujo quadro apresenta alto índice de indivíduos com depressão e uma das maiores taxas de suicídios do país, isso não é situação tão incomum, além de ser dever atender com urbanidade e presteza a todos indistintamente, novos e antigos sindicalizados, e até mesmo não sindicalizados, além, é claro, de acolher as pensionistas e os pensionistas, que trazem cada qual suas particularidades de preocupações, necessidades e desabafos. É necessário ainda saber ser um bom ouvinte e compartilhar com discrição assuntos pessoais de cada demandante.

 

A tarefa que, numa análise superficial à primeira vista não parecia ser assim tão complexa, vai impondo o acúmulo de responsabilidades espinhosas e, num mundo cada vez mais interligado digitalmente, incessantemente brotam notícias relacionadas ao funcionalismo policial, exigindo que o representante sindical esteja inteirado e se aprofunde acerca dos temas a cada momento expostos.

 

A labuta sindical obriga equilíbrio e serenidade nas falas, nas publicações, que invariavelmente avançam e se embaralham com a seara particular. Perde-se o limite entre o particular e o representante, o sindicalista passa a ser refém de seu posto. É visto, é acompanhado, é patrulhado. Expressar opiniões publicamente, notadamente sobre política partidária, é um caminho arriscado, pouco recomendado, e num país polarizado pode gerar descontentamento de uma parcela de sindicalizados e acarretar numa quebra da legitimidade representativa.

 

Não bastasse, aquele que heroica ou insanamente assume o encargo de representante sindical, e que se proponha a verdadeiramente defender devotamente os interesses da coletividade, tem que necessariamente aprender a conviver com a indiferença de muitos, com a insatisfação de outros, e com o tom pejorativo e historicamente depreciativo atribuído à sua função de maneira generalizada, sobretudo por uma parte da imprensa. Sobre si sempre haverá firme desconfiança.

 

Por outro lado, a caminhada de um sindicalista também pode ser construída de significativas vitórias, ora quando sua categoria consegue assegurar um justo direito outrora ameaçado, ora quando um sindicalizado conquista um pleito almejado, ou mesmo quando bons projetos defendidos viram lei e a sociedade verdadeiramente sai ganhando.

 

A tarefa é árdua, mas a caminhada amadurece e ensina. Ninguém disse que seria fácil.  





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