Terça-feira, 16 de Julho de 2019

REFORMA DA PREVIDÊNCIA É APROVADA EM PRIMEIRO TURNO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS; POLICIAIS FEDERAIS CONTINUARÃO EM BUSCA DE JUSTIÇA

"HÁ MUITA DISCUSSÃO SOBRE OS DIREITOS DE SE ARMAR, MAS POUCA SOBRE OS DEVERES"

UM NOVO MODELO DE POLÍCIA PARA O BRASIL

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18/06/2019

PREVIDêNCIA AMEAÇA APOIO DAS POLÍCIAS CIVIL E FEDERAL A BOLSONARO

Forte reduto do bolsonarismo, parte da polícia passou a olhar com desconfiança seu apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). Pelo menos na Polícia Federal e na Civil e nas guardas municipais, o entendimento é que as propostas do governo da reforma da Previdência colocariam em risco a aposentadoria e as pensões de agentes de segurança, a ponto de estudarem abandonar seu alinhamento ao Palácio do Planalto, o que rendeu muitos votos nas eleições de 2018.

 

Nas últimas duas semanas, o mal-estar aumentou. No início do mês, quatro notas de entidades de classe acusaram o Palácio do Planalto de descumprir acordos para garantir às categorias os mesmos benefícios preservados para as Forças Armadas.

 

Embora menos numerosas que a Polícia Militar (PM), as categorias têm poder. Tocam os principais casos de corrupção no país, nos âmbitos federal ou estadual, e ainda policiam ruas de muitas cidades. As entidades estudam fazer operações "tartaruga" nos próximos dias, atrapalhando serviços essenciais à população, como atendimento em delegacias e policiamento de ruas.

 

Em outra ponta, a ideia é aumentar a quantidade de trabalho focando em investigações contra a corrupção.

Entidades cobram quebra de acordo

 

"O apoio concedido pela maioria dos operadores de segurança pública na eleição não será transformado num cheque em branco em prejuízo próprio", diz trecho da nota publicada pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). O texto foi divulgado na semana passada junto com outras críticas semelhantes de mais três entidades de classe que narram suposta quebra de promessa: policiais civis (Cobrapol), policiais rodoviários federais (Fenaprf) e peritos da PF (APCF).

 

Eles dizem que haveria um acordo firmado com Jair Bolsonaro em 20 de maio para dar a eles os mesmos benefícios estendidos às Forças Armadas e aos policiais militares na reforma.

 

Consultada pela reportagem, a assessoria do presidente negou a existência dos acordos mencionados pelas entidades de policiais. A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselman (PSL-SP), também disse que não há acordo.

"A um passo de perder todo o apoio"

Depois das queixas em público feitas pelos sindicatos, críticas ao presidente foram parar em grupos de WhatsApp de policiais, muitos deles eleitores do presidente, na semana passada. Em redes sociais abertas, também era possível ver charge de um caixão de policial guiado por Bolsonaro.

 

"Posso te garantir: o governo Bolsonaro está a um passo de perder todo o apoio da segurança pública do País, pois a aposentadoria policial é o único atrativo das carreiras dos operadores da segurança pública", afirmou ao UOL o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Luís Antônio Boudens.

 

Na última quinta, a comissão especial da reforma da Previdência na Câmara recebeu o relatório do deputado Samuel Moreira (MDB-MG), relator da reforma. Era lá a arena que os policiais esperavam resolver os problemas enfrentados na equiparação com os militares (veja abaixo). "Ficou pior", resume o presidente da APCF, o perito Marcos Camargo. "Piorou para todas as polícias", completa André Gutierrez, diretor de mobilização da UPB (União dos Policiais do Brasil) e presidente da Cobrapol. A medida ainda atinge os 120 mil guardas municipais.

 

Gutierrez também afirmou ao UOL que as categorias policiais podem abandonar o governo.

"Se for para romper com o Bolsonaro, vamos romper, porque ele rompeu com a gente". André Gutierrez, diretor da União dos Policiais do Brasil.

 

Ele conta que há assembleias previstas para hoje (18) para definir se entram em uma espécie de greve, fazem operações tartaruga, manifestação ou "invasão em Brasília". "Temos outros meios de fazer a polícia paralisar sem ser greve."

 

"O sentimento é da mais profunda decepção, até porque a posição dele enquanto era deputado era completamente diferente da proposta enviada como presidente". Clóveis Pereira, presidente da Federação Nacional dos Guardas Municipais (Fenaguardas).

O que eles querem?

Policiais federais e civis pedem os mesmos benefícios que militares terão na proposta de reforma da Previdência. Abaixo, exemplos do que está diferente e eles querem mudar:

Pensão para viúvas
- Para Forças Armadas e policiais militares: se o cônjuge morrer, viúvas terão pensão integral e vitalícia
- Para policiais federais e civis: benefício só valeria para mortes "em serviço", e não "em decorrência do serviço"
- Para guardas municipais: não terão direito ao regime de PMs e Forças Armadas

Salário integral na aposentadoria
- Forças Armadas e policiais militares: terão aposentadoria com o último salário recebido integral
- Policiais federais e civis: precisarão trabalhar mais para terem direito ao mesmo benefício. Para sindicatos, texto não dá segurança
- Guardas municipais: não terão direito a esse benefício

Paridade salarial
- Forças Armadas e policiais militares: aumentos de salário aos funcionários na ativa serão concedidos também aos aposentados
- Policiais federais e civis: não terão esse benefício
- Guardas municipais: não terão direito a esse benefício

Regra de transição
- Forças Armadas e policiais militares: terão regra de transição para amenizar prejuízos com a reforma da Previdência
- Policiais federais e civis: não terão esse benefício
- Guardas municipais: não terão direito a esse benefício
Fonte: UPB, Fenapef, Cobrapol, APCF e Fenaguardas


Fonte: Site UOL / Republicado no site Fenapef


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